sábado, 10 de maio de 2014

13/02/2009

22:52 – Ligamos o pc agora. Chegamos, tiramos a roupa, ligamos a TV, lutamos pra achar a globo e agora estamos achando muito burro a escolha do Max no bbb.
22:55 – THALI POSTANDO AQUI AEAEAEAEAEAE oi.
22:56 – E eu, muito inocente, nem sabia que o Emanuel era odiado. COMO ASSIM, VANESSA? (Érika here! Xoxo)
23:00 – Ti nos ofereceu a linguiça dele. Sem trema. Aceitamos, claro.
23:01 – Thali de novo OIIIIIIII não sei brinks de twitter! Muito menos se eu nem escrevendo to no twitter, e sim num documento do WORD. Beijos
23:06 – Victor no celular. Achando um absurdo marcar almoço às 12. Ele quer às 13. Oi.
23:09 – Érika egoísta não divide o caderno.
23:11 – Eu (Érika) estou na capa do caderno do Ti. É pra poucos, mortais. poder/
23:15 – eu também to na capa lerolero! (Thali)
23:41 – Jantar – ou não – Medo da lingüiça. Sem trema.
23:44 – “Não subestime sua lingüiça” (sem trema) – That’s what she Said.
00:16 – assistindo CLOSER! Eu não como crianças...
00:19 – Thali apanhando do João-bobo.
00:29 – “quase que me engasguei com o dedo”
01:14 – Comendo açaí. OI.
03:04 – Você já visitou Ribeirão Preto? Tipo, nada contra, acho ótimo.
03:06 – Aprendendo a usar twitter com Ti e Érika. To achando válido! –n
03:18 – IM NOT GONNA TEACH HIM HOW TO DANCE WITH YOU!! Tchururururu
04:15 – Ana Lucia teve sucesso no tratamento de hemorróidas.
4:48 - *Notebook desligado*
5:00 – “AI, MIJEI”
5:13 - “Foi ótimo! A gente arrotou horrores na pista. Tem foto.”
20:04 – Daí que assim, a gente só lembrou agora disso aqui, a gente foi pra Paulista fazer comprinhas pra festa e tal. Chegamos aqui faz tipo umas duas horas e fizemos POÇÃO, uma receita da Maria. Daê meu, fica MUITO bom e você não sente nada, e eu apanhei litros pra escrever essa frase no mínimo ‘entendível’. E a gente vai ficar bem louco SEM NO-TAR.
20:11 – Érika se aprontando, Thali tomando banha, Marcos NO-CHÃO bêbado. E eu aqui, são e sóbrio (-n).
20:16 – Marcos não consegue plugar o fio na TOMADA. Quer dizer.

06:03 – Chegamos em casa, pés doendo. Poucas lembranças, muitas fotos, muitos rostos, muito balcão, muita poção, pouco juízo, muito creu (q), muita gente bêbada (mas tipos M-A-L mesmo), muita chuva, pouco pé sobrando pra contar a história.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

The Irrepressibles


"The third and final video in the video trilogy of NUDE. A video collage created with submissions from homosexual fans of the band from all over the world, asked to document their lives together in a celebration of homosexual love."

Tão bonito e tão triste ao mesmo tempo, não sei explicar.

domingo, 16 de setembro de 2012


Porque o Professor do cursinho havia pedido uma redação sobre quem nós éramos. Eu escrevi, a Érika revisou lindamente. E depois o Professor acabou lendo em voz alta pra sala toda, comentando que estava boa. Foi bom ouvir um 'SENSACIONAL!' gritado por uma guria quando ele finalizou. <3
Pena que quem eu queria que ouvisse não estava lá. =/


sábado, 18 de agosto de 2012

Recomeçar.


Finalmente! As aulas do cursinho começaram. Eu teria inúmeras coisas a dizer sobre tudo o que está acontecendo. Como estou cansado, como ando com sono, como ando com fome. E claro, como me sinto desesperado, em saber que é tão pouco tempo pra se ver tanta coisa. Em como a gente está atrasado, quando paramos para comparar com outras pessoas que estão há anos se preparando pra essa prova de vestibular. Eu pensei em falar sobre as aulas, como é bom rever alguns conceitos. Queria falar sobre o que de fato estou vendo no cursinho, a matéria, aquilo que eu vou ter que entender e gravar para usar na minha prova. Mas a primeira percepção que eu tive do cursinho vai um pouco além disso.
Eu nunca fiz cursinho. No colégio, havia uma ‘turma de cursinho’ de finais de semana, mas era com os mesmos professores das aulas normais, parecia sempre ser sempre, só mais do mesmo, sabe? Não fazia sentido e não me preenchia.

Tem o fato também de estar fazendo um cursinho popular. Querendo ou não, o discurso de quem está lá na frente é um pouco diferente. Meus professores parecem ser aquele tipo  de jovem militante, que você vê em notícias ou então conhece na beira de um bar, tendo um papo filosófico enquanto toma uma cerveja e depois não vê nunca mais na vida.

Como um deles citou durante alguma aula, o cursinho é mais do que passar no vestibular. A intenção deles é, de verdade, fazer com que as pessoas pensem diferente e sejam críticos com absolutamente tudo. A não aceitar as coisas, a não ser pacifista. A exigir porquês, a questionar notícias, questionar situações e questionar, inclusive, a nós mesmos: que porra louca toda é essa que está acontecendo.
Acho que de toda minha vida, essa foi uma das semanas mais reflexivas que tive. E com assuntos que até então eu sequer me preocupava. Provavelmente é a nostalgia, desses momentos de caderno, lápis, caneta e lousa. Com a diferença entre o professor de colégio, tão distante e o professor de cursinho, tão próximo.

Não só fisicamente, ta?

Ouvi dizer essa semana que eu estava visivelmente um bagaço, cansado e com sono. Mas que o brilho no meu olho já estava diferente, que eu estava mais feliz e mais motivado. E estou mesmo. Eu me sinto exatamente assim. Não sei que lavagem cerebral é essa. Não sei de onde essa motivação contagiante de mudar de vida e de mudar o mundo está vindo. Mas tá funcionando!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Textos que nunca terminei #2

Daniel

Gemidos baixinhos enquanto Daniel se masturbava, assistindo uma garota maravilhosa pela internet. Sua mente corria por todo o corpo moreno, queimado de sol, de Carolina. E só parou quando ela avisou que já estava de saída. Ele apenas fechou os olhos e deixou que a imaginação terminasse o trabalho. Nu na cadeira, jogou a cabeça para trás e gozou sobre sua barriga muito bem definida.
Ainda respirando forte e ritmado, procurou algo a sua volta. Encontrou uma garrafinha de Amarula vazia, que havia ganhado de Pedro, seu colega de quarto, junto com mais três garrafinhas. Miniaturas de cachaça, tequila e vodka. Uma delícia.
Coletou delicadamente tudo o que havia liberado e apertou forte a garrafinha. Ainda sujo, levantou-se, foi até o banheiro que havia dentro do quarto, pegou um pedaço de papel e limpou-se. Foi até a janela e acendeu um cigarro, fumou olhando a praia. Sua praia, como ele gostava de imaginar. Cada pedacinho daquela orla era dele, por direito adquirido.
Gostava do mar, gostava do cheiro do mar. Lembrava de sua infância e de quando ia com sua família navegar. Seus pais sempre foram muito bem afortunados e o iate da família não parava um final de semana sequer na marina. Ele tinha uma Polaroid e tirava fotos de todos os momentos. Dos peixes que seu pai pescava, de sua mãe com a bóia em alto mar, de seu irmão menor, dos detalhes do barco, do céu, das nuvens. Do que surgisse.
Hoje, aquelas e tantas outras fotografias estavam em caixas, muito bem guardadas. A mãe de Daniel descobriu logo a beleza do filho era única e de futuro fotógrafo, passou a ser o fotografado. Books e mais books feitos à custa de seus pais. Desfilou inúmeras vezes. A família era bem relacionada e convites não faltavam. ‘Menos televisão’, dizia sua mãe, ‘Meu filho é pra ser admirado, não vendido’. Era um conceito louco que ela tinha. Não adiantava discutir. Moda era arte o resto era feira.
Apagou o cigarro num cinzeiro que ficava numa cômoda próxima à janela e foi novamente ao banheiro. Ligou o chuveiro. Água gelada. Entrou delicadamente, deixando cada filete d’água tocar seu corpo trabalhado. Passou a mão pelo peitoral, se ensaboou com sabonete líquido e uma esponja macia. Lavou seus cabelos castanho-claros, queimados naturalmente do sol nas pontas. Desligou a água após um tempo e bagunçou os cabelos, molhando tudo a sua volta.
A água respingou no espelho acima da pia, pelo chão, pelo vaso e pelo outro garoto que o estava seguindo o tempo todo pelo quarto, com sua filmadora à mão.
‘E corta’
Daniel sorriu e pegou a toalha branca, que estava pendurada ali perto. Sorriu e fez um cafuné, bagunçando um pouco mais os cachinhos de Yuri, seu colega de quarto, que estava quase deitado no chão do banheiro, buscando um ângulo diferente do comum.
Saindo pela porta do banheiro, ainda enxugando o cabelo, pegou uma sunga qualquer da sua primeira gaveta, uma camiseta preta e uma bermuda xadrez. Ajeitou o cabelo rápido, sem se olhar e saiu.
- A Carol ta chegando, vou comprar um cigarro e encontro vocês no Tranquêra.
-Ok.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Louco.


 
É o que eu mais tenho ouvido nesses últimos dias. Que sou louco, que faço as coisas no impulso, que não to pensando nas consequências, que quero vida-boa, que eu vou me arrepender...
Conversei com meu chefe, me coloquei à disposição o tempo que for necessário (ainda este ano) na empresa, pra deixar tudo redondinho, mas que ó, um beijo aê, não agüento mais e PRECISO sair desse(s) emprego(s).
Vai fazer um mês mais ou menos que eu comuniquei. Fui honesto com ele e comigo, eu acho. Me orgulho disso. Tenho pra mim que ele ainda não aceitou a ideia, ou melhor, que ele ainda não ACREDITA na ideia que eu esteja mesmo indo embora daqui. Comoção geral, todo mundo me fazendo chorar quando pode, sabe? Até gente que eu nunca tive muita proximidade veio ‘admirar’ meus atos, mas pedindo para que eu reconsiderasse.
Mal sabem que nada disso é sem pensar. Há praticamente um ano atrás eu já tinha cantado essa história.
Faltou coragem.
Mas agora ela veio. Não sei como vai ser, não sei o que vai dar certo, o que vai dar errado. Talvez voe merda para todos os lados, mas quer saber? Que voe. Diz a Omo que se sujar faz bem. Eu quero poucas coisas nessa vida. Quero um amor, um cantinho e um salário que dê pra pagar meu cigarro e minhas pingas de vez em quando. Não parece tão complicado, mas é. (será?)
Com esse meu emprego, o meu cantinho idealizado ficaria longe demais, o amor eu parei de acreditar (mentira) e o salário, sinceramente, eu não achei que estava compensando. Lembro na faculdade, em alguma aula perdida de comportamento, a professora explicando que salário não era fator motivacional, porque não era permanente, ele podia dar uma MASCARADA na situação, mas que logo a melancolia da situação iria voltar. Comentava ao mesmo tempo com meus amigos: fofo, me pagando bem eu aguento qualquer coisa (ui!). Oh, língua maldita. Paguei, obviamente. Hoje sei que salário não motiva porra nenhuma. Porque existe um pequeno segredo nessa vida que é: saber sua realidade. Quando eu ganhava um terço do que ganho hoje, juro que fazia MUITO mais coisas do que faço agora. Sobe receita, sobe despesa. Não precisa ser formado pra saber disso. Lógica.

Claro que eu sei que as chances de alguém, que não abre um livro pra estudar faz uns anos (risos), passar na USP com uns meses de cursinho chegam a... NÃO EXISTIREM? Haha E eu não to criando expectativa nenhuma não, to indo com calma e se não der agora, vai dar no próximo ano. O que é um ano na nossa vida, né?

Como respaldo, posto esse comentário da Érika no post que eu escrevi no ano passado:
"Eu não posso garantir que você vai trabalhar com Jornalismo, que vai ser bem sucedido e feliz em Letras, que administração não é a sua. Só quem pode dizer qual é a sua é você mesmo (vim de uma discussão sobre "escolhas" e a palavra tá piscando no meu cérebro aqui).

Mas você não tem nada a perder (só o dinheiro da inscrição etc), então por que não? Sei lá, não te vejo discutindo Baudelaire, Shakespeare ou Guimarães Rosa, mas vejo você escrevendo. Porque você TEM um estilo seu, isso é um bom passo já. E é uma das coisas que mais ME preocupa, porque oi, gosto de escrever, de literatura, mas acho que sou "certinha" demais com gramática e acabo sufocando minha criatividade e personalidade com isso. Você não, você é muito autêntico. E autenticidade conta muito nesse mundo.

Dou a maior força e torço pra que você descubra que isso era tudo o que você sonhava na vida :)”
E é isso.
Boa sorte pra mim, que voltei a ter 16 anos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

d

Hoje achei que te vi.

Lembrei daquela noite, onde o tudo e o nada aconteceram ao mesmo tempo. Não consigo lembrar como de fato começou, onde foi que senti a fagulha pinicando a pele, vejo alguns borrões, alguns brindes de Chopp, uma amiga em comum e uma ex-namorada. Vejo seus olhos e seu sorriso torto. Gosto de pensar na sua mão, quando ela roubou a minha de cima do balcão e numa carícia singela espantou o mundo ao nosso redor pra longe.

Como numa Blueberry Night, estávamos no balcão de um bar qualquer, de costas para a rua, expostos numa vitrine, escondidos por algum adesivo mal colocado contra o vidro. Caminhamos até outro bar qualquer, quase escondido, quase sem luz, quase sem gente, quase sem vida. Cervejas e confidências. Quando sua mão reencontrou a minha, falamos de amores passados, falamos de dor, de mágoa, da vida. Do amor em comum, mesmo que de forma diferente. Das formas de amor, da forma de amar. Dor.

Gostaria de ser um terceiro naquele bar. Algum boêmio perdido no canto. Talvez o garçom que quase derrubei quando fui ao banheiro. Queria assistir o que vivi, para ter certeza de que aquilo estava acontecendo. Se foi real ou algum fruto doentio da minha alma cansada. Mas ao mesmo tempo queria apagar nossas fotos. Fotos que me perseguem, insistem em trazer memórias irreais, sonhos defeituosos, suspiros pela metade.
Incansáveis beats, ainda fomos badalar. Num lugar que certamente você não gostava, eu sabia. Eu sei. Mas ainda assim você foi, disse que só queria sair e estar comigo. Dançamos no tumulto. No balcão, buscando mais álcool, nos esprememos entre as pessoas. Você na frente, eu te segurando pela mão.
Ao pedir, mesmo de costas, me puxou para mais perto. Seu cheiro. Descontrolado, num abraço pela cintura, te apertei e encostei meu rosto nas suas costas. Você virou e por um instante meu mundo parou de girar. Perdido nos seus olhos e no seu sorriso ainda torto. Mal percebi o barman puxando minha comanda, nos obrigando a trocar de lugar. Tequila e cerveja.

Ah, tequila. Encorajando as pessoas a fazerem coisas estúpidas. Seu rosto veio de encontro ao meu, porém seus lábios encontraram meu rosto. Seu corpo sim, encontrou meu corpo, entre pedidos e bebidas, você me beijou levemente o rosto, passando levemente seu rosto no meu e beijando delicadamente meu pescoço.
Na tentativa de te beijar, encontrei hesitação. Com o rosto afastado, me puxou pelo braço, precisando de um cigarro. Você não fumava e eu não havia fumado a noite toda. Por você. Saímos e compramos um desses cigarros com sabor de cereja e acendi o meu e o seu enquanto atravessávamos a rua.
Cigarro. Meu terapeuta. A sensação de que eu havia feito algo errado não demorou a aparecer. A gente até então era amigo, né? Quer dizer, não, a gente não era amigo. Talvez colegas, se bem que não, não éramos nada. A gente só se conhecia. Naquela noite, acima de todas, éramos dois estranhos. Pedi desculpas pela tentativa de beijo roubado. Com suas duas mãos no meu rosto, perguntava insistentemente se você estava indo a algum lugar, que estava tudo bem. Eu gostaria que você tivesse de fato ido. Fugido. Estar lá de cara lavada e ainda me beijando o pescoço, só me deixou mais confuso e machucado.

Mas você sempre foi doce. Não deixaria de ser naquela hora. Abraços, desculpas, beijos no pescoço, um coração despedaçado e uma mente confusa. Sentamos no chão e você pediu que eu deitasse no seu colo. Deitei sobre suas coxas ainda te olhando, meio encolhido, sentindo o ar gelado da madrugada. Você foi se inclinando até que alcançasse meus joelhos e também se deitou sobre minhas pernas. E ali ficamos. Neste estranho círculo de carinho. A posição mais confortável da minha vida, que até hoje não consigo repetir, pela dor do lembrar.

Subimos a rua abraçados e abraçados nos despedimos. Pra sempre.

sábado, 10 de março de 2012

Textos que nunca terminei #1


Carolina

Ela era linda. E sabia disso. Nua, sambava em seu quarto, no décimo segundo andar do prédio onde morava há oito anos, com seus tios. Um quarto bonito, com uma cama de casal, quem via, imaginava que algum hippie passou por ali e deixou suas marcas. Muitas flores, muita cor. Numa das paredes, o símbolo de paz e amor pintado. Entre os vãos do símbolo, recortes de fotos de Carolina. Toda sua considerada vida explícita naquela parede, que ninguém nunca havia visto.
Uma correntinha de prata caída ao pescoço, com a chave do seu refúgio sempre pendurada. Colocou a parte de cima de um biquíni verde neon, amarrou-o no pescoço e se admirou no espelho que cobria metade da segunda parede de seu quarto. Na terceira parede, um guarda-roupas gigante estava com as portas abertas. Pegou a parte de baixo de um biquíni branco, passou a mão pelos cabides, escolhendo quase por acaso o que usaria. Um vestidinho branco, que mais parecia uma camiseta regata, deixava o verde da roupa de baixo transparecer. E um short jeans minúsculo, gasto nas barras e com o bolso rasgado. Uma sandália baixinha de couro marrom.
Um brinco grande, com uma pena preta pendurada raspando-lhe o ombro. O cabelo preso num coque que não deu certo. Semi preso, semi solto. Num misto de bagunça e perfeição. Afastou um pouco a cortina de sua janela. Sol. Pegou seus óculos que estavam em cima da escrivaninha, ao lado do seu notebook. Se admirou mais um pouco no espelho, enquanto passava um brilho labial.
Ajeitou as pulseiras que possuía, todas de pano, amarradas firme junto ao pulso. Colocou mais duas de miçangas e duas que ficavam frouxas e sempre deslizavam em seu braço quando ela mexia no cabelo. Ela gostava.
Celular no bolso rasgado, quase caindo. Dinheiro enrolado, apertadinho no bolso da frente do short. Foi até a tela do notebook, por MSN avisou ‘estou saindo’. Desligou a webcam e saiu do quarto, trancando a porta sem tirar a chave do pescoço, se abaixando. Como sempre fazia.
Passou pela cozinha e deu um beijo na tia.
-Não tenho horário.
-Ta na hora de criar juízo, menina.
Saiu sem responder, dando um tapinha na bunda da tia e sorrindo. Pegou o elevador sozinha e se namorou mais um pouco no espelho. Passando a mão pelo corpo, vendo se tudo estava no lugar. Ela sabia que o vigia estava assistindo pela câmera de segurança. Ele iria fingir que estava lendo o jornal quando ela saísse do elevador. Mas voltaria a gravação da câmera, como ele sempre fazia.
Ela saiu pelo hall de entrada e passou pelo porteiro do prédio, que lia o jornal do bairro. A porta bateu à suas costas. Esperou dois segundos e deu um passo pra trás, bem a tempo de vê-lo curvado, olhando de perto a imagem da pequena tela de segurança.
‘Todos iguais’ – ela pensou. E, agora sim, foi.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um Sonho.(?)


Matusaelizando



Poderia ter sido a lente queimando seus olhos, a luz do sol que começava a entrar pela fresta da cortina da sala, ou algum ronco que vinha de outra pessoa que ali dormia. Tudo junto. Outros diriam que foi um alien, o espírito da noiva ou um galo zumbi. Tiago acordou virado para o forro de madeira no teto, visualizando manchas brancas, que desenhavam o contorno de seus amigos espalhados pelo chão.

Lembrou-se da noite anterior, quando só conseguia enxergar o vaga-lume que ficou trancado para dentro. Ele piscava e Tiago gritava exaltado. Chegou a lembrar alguma piada interna, sobre coisas que piscam. Pôde ouvir as risadas de Érika e Thalita vindas da outra sala. Era tão bom ouvi-las sabendo que elas estavam logo ali.

Sentou-se na cama, tomando coragem para começar mais um dia. Aliás, mais um ano. O primeiro dia do ano. Olhou para o lado e viu Marcos descabelado, numa posição que muitos ali nem acordados e alongados conseguiriam reproduzir. O braço para fora da coberta, metade caído no chão, tocando de leve o aparelho celular com as pontas dos dedos. Nem dormindo ele desgrudava do aparelho. Tiago sorriu, lembrando de Marcos tomando sol com o celular na orelha. Vislumbrou Marcos com uma marca branca no rosto no formato do celular. Riu em voz alta. Ninguém sequer notou.

Café. Ele precisava de café. Num outro colchão aos seus pés, Matusael dormia com um sorriso no rosto, provavelmente sonhando com algum webhit maravilhoso, montando piadas para usar durante o dia. Na beirada do seu colchão havia uma latinha de cerveja, provavelmente cheia e quente.

Com medo de derrubar a cerveja, tentou sair pelo outro lado, passando por cima do Marcos, e quase pisou um pequeno casulo que havia se formado com o edredom. Era Camila. Ela dormia como se nunca houvesse dormido na vida. Respirava profundamente, como se precisasse de ar, como se minutos atrás tivesse quase se afogado. Mas talvez fosse só o calor do edredom.

Passou por Victor, Guilherme, Gabriel e Cauê, desviando dos colchões. Onde estava Thali?, pensou. Na cozinha, garrafas vazias de conhaque, groselha e tequila. No balcão, tomado por celulares e óculos de sol, uma maça toda mordida. Cinzas do narguile espalhadas por todo lugar. CIGARRO. Tiago precisava de cigarro. E café. Começou a abrir os armários, procurando algo para ferver a água. Releu o recado na geladeira, informando que o show havia sido cancelado. Quase teve um ataque.

Após pegar uma chaleira, foi para a cozinha de fora, onde ficava o único fogão que funcionava. Na pia, resquícios de uma panelada de brigadeiro deliciosa, um molho branco que surgiu devido ao milagre da multiplicação, um leve cheiro de arroz queimado, uma salsicha abandonada e uns potes vazios. Perguntou-se onde estava a carne - apesar de fora da geladeira, ela deveria estar ali. Talvez estivesse em outro lugar.

Voltou à casa, para buscar o isqueiro. Vazio. Eles usaram para acender o carvão do narguile na noite anterior. Foi procurar outro isqueiro, daqueles de padaria, na cor laranja, que a Paula havia pegado emprestado com o caseiro. Talvez estivesse no quarto. Passando pelo corredor, viu a pia caída no chão. E um cheiro de queimado – ou merda – no ar. Tentou puxar pela memória o que havia acontecido, mas o cheiro estava mais forte do que a vontade de lembrar e continuou caminhando.

Thali estava num dos quartos, encolhidinha numa das camas, dormia virada pra janela, com o sol já batendo em seu rosto. Estava serena, talvez até triste. Nostálgica? Essa época do ano mexe com nossas emoções. Tiago quis abraçá-la e dizer que estava tudo bem. Mas resolveu não acordá-la. Deixá-la descansar era a decisão mais sábia para que depois eles pudessem pirar durante o dia e rir até o mundo acabar.

Passou pela sala novamente, vendo Paula entre Arthur e Bruno. Um sanduíche que invejaria qualquer pessoa. Torceu para alguém estar acordado, para que ele pudesse fazer alguma piada ou repetir que aquilo esticado não era o joelho dos meninos. Mas ainda dormiam. Na mesa da outra sala, encontrou o isqueiro e um maço do cigarro mentolado, que ele achou que havia acabado. Estava embaixo de um iPod preto. Resolveu ver qual a última música havia sido tocada, mas o aparelho estava bloqueado. Mais fácil seria chocar um ovo de dragão com sucesso do que descobrir aquela senha. Havia outro iPod no deck, a música pausada era Make me Feel, do Cobra Starship.

Acendeu a boca do fogão, ferveu a água, preparou o café e voltou para a varandinha, na frente da casa. Sentou-se no chão, entre alguns pedaços de frango avermelhados. Tomou seu café e fumou o cigarro mais delicioso da sua vida. Ele tinha tudo o que precisava ali, entre as árvores daquele lugar. Tirou o celular do bolso para verificar as horas e, no reflexo da tela, viu como seu olho estava inchado. Ele chorou na noite passada. Sentiu-se bobo.

Lembrou-se de ter ido até o meio do gramado, seguindo um vaga-lume e tentando se aproximar. Virando-se para a casa, viu as pessoas ao redor da mesa. Mesmo Alana, que era a mais nova integrante do grupo, já estava entrelaçada em todos. Tiago tinha medo que o grupo desapontasse Bruno e ela, que antes nunca tinham passado tanto tempo junto assim com todos eles. Mas não, mais uma vez estava provado que alguma coisa ali era maior, maior do que as diferenças entre eles. O que tinham em comum era mais forte.

Guilherme tinha acabado de deixar o violão de lado e ia em direção à mesa. E, entre tantos que Tiago gostaria que estivessem ali celebrando, lembrou-se de Luciane. Divagou sobre o futuro, imaginando ela com Guilherme, de mãos dadas, esperando em fila para se servir de algum prato especial de ano novo que Arthur tivesse feito com todo amor e carinho do mundo para todos.

Érika ria, sentada na ponta da mesa, como todo bom chefe de família faz. Da nossa família de escândalos e luxúria. Ela apontava para Victor, que rodopiava pela sala, emulando as lindas luzes de uma aurora polar e quase derrubando Bruno, que vinha com uma taça de champagne na mão. Que caiu, obviamente, quando Gabriel chegou fazendo um bate cabeça com os dois. Todos riram e Érika comentou algo com alguém que estava ao seu lado. E de repente, Tiago notou que todos ali estavam acompanhados. A mesa na verdade havia dobrado de tamanho, o sítio também. Sequer era o mesmo sítio.

Ao olhar para trás, Cauê vinha de outro canto das árvores, seguido por algumas crianças, e em cada uma Tiago via os traços de seus amigos: fosse um cabelo loirinho, um sotaque mineiro, os olhos claros característicos, os olhos escuros, a alegria de viver, a bondade, ou a acidez. Todos com lanternas nas mãos, explorando a noite. Paula vinha ao fundo, de mãos dadas com alguma criança que visivelmente estava morrendo de medo, mas que estava encantada com a canção que Paula tentava ensinar as crianças. Cauê reforçava que a rua não era dos gordos e Paula se desmanchava.

Tiago era a terceira pessoa naquela visão. Um voyeur. Tudo estava intacto, minimamente planejado, todos vestiam branco, riam expansivamente. Breno esbravejava com Arthur alguma coisa sem o menor sentido, enquanto Tiago abraçava Alana na cozinha para provocá-lo. Todos estavam tão diferentes e tão iguais. Eram os mesmos na personalidade, mas com uma alegria diferente... Potencializada. Estavam realizados.

Perdido em emoções, sentiu Paula abraçando-o e logo todos estavam a sua volta, pulando e comemorando. Acordou do transe. Com lágrimas nos olhos e um nó na garganta, voltou para dentro, deu uma olhada para cada um e perguntou-se se aquele ano-novo seria repetido outras vezes. Em seu monólogo mental, concluiu que sim, não foi só uma alucinação.

E lembrou-se do sorriso que deu, olhando para seu prato na mesa, imaginando as possibilidades infinitas de felicidade que aguardavam cada um daquele grupo. Viu novamente em um flash a família crescendo, com pessoas que não se importam se você é gordo, magro, gay, branco, preto, amarelo, indie, metaleiro, pagodeiro, espírita, evangélico, católico, vegetariano, se só toma suco de maracujá, se só toma no cu, se quebra pias, se larga a cerveja no banheiro, se joga casca de banana no chão, se te bate na cara, se vomita no seu pé ou se te acordam delicadamente rolando por cima de você.

E o cigarro já queimava a ponta dos seus dedos. Abriu a porta da sala, colocou Glamurosa no último volume e rolou por cima daqueles corpos maravilhosos, não sabendo mais se divagava ou se estava acordado. Então começou a ouvir os gritos de dores de um Arthur muito bravo, com suas queimaduras de sol, sono e rinite. Enxotado por ele, Paula e Bruno, rolou por cima de todos e parou sobre Érika com um abraço e um beijo.

É tão bom estar em casa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

#012


Parece piada, mas não é:
Hoje um louco me entra na lateral do carro, a pé, sozinho, debatendo sua sacola contra o vidro.
Susto pra uma vida inteira. Quero mais falar nisso não. Cantar pra espantar os males, que ganho mais!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

and i'll change it all again


Eu nunca quis ser nada. Sério, ainda não quero. E tenho uma certeza de que nunca vou querer. Todo mundo que eu conhecia queria ser alguma coisa. Isso me frustrava, porque além de TODAS AS OUTRAS COISAS que a sociedade teimava em afirmar que eu não me encaixava, ainda tinha mais essa. Que vidinha de merda, ein, moço.

Algum psicólogo algum dia talvez possa explicar, mas eu nunca gostei de ser o melhor em nada. Desde super pequeno eu gostava de nadar. AMAVA, na real. Ainda gosto, mas deixa isso pra outro post... Então, eu era um super peixinho lindo, que freqüentava o clube com a Madrinha. Comecei a ter aulas dessa delícia e amava ir lá brincar com aquelas pranchinhas amarelas ridículas. Depois de pouco tempo, me botaram na piscina funda e falaram que eu tava bom é pra competir. CALMA, O QUE? Tão lindo que todo mundo amou, tão triste que na hora eu quis parar de nadar. ME DEIXA, não quero medalhas, só quero ficar aqui com minha pranchinha amarela onde me dá pé, valeu aí, vou dispensar a borboleta.

Talvez tenha a ver com a escola também. Quando estudava em escola pública eu era o melhor do mundo da minha sala. Sem brincadeira nenhuma, os professores me amavam, minha mãe ia toda orgulhosa em reunião de pais e a vida era boa. Quando eu entrei em escola particular eu vi que bem, eu não era tão bom assim não. Aliás, eu tava bem atrasado em relação à galera. Baque profundo. Daí eu acho – to supondo, ta, não sou psicólogo, sou jornalista – que isso me afetou tanto que eu simplesmente não conseguia mais mostrar absolutamente nada que eu produzia.

De um desenhinho babaca até uma prova de matemática. Nem minhas notas eu gostava que vissem. Fosse um 10 ou um 5,5 que com a participação arredondava pra 6 e eu tava salvo. Não me orgulho do fato, mas o medo de alguém ser melhor em algo que você é assustador demais pra mim. Eu não soube MESMO lidar com isso. Ignorância é o melhor caminho, a gente não sabe, a gente não sente... a gente vive mega di bouas.

Uma vez teve um concurso de frases bonitinhas sobre meio ambiente (SEI LÁ) e daí valia nota e eu acabei entregando. Publicaram na agenda de todos os alunos no ano seguinte, com.meu.nome.embaixo. A vontade era enfiar a cara pelo cu e morrer de vergonha, sufocado, mas depois de uns meses ninguém mais notava. Quibom.

Tudo isso pra chegar a um ponto: Se eu não curto muito nem ser visto com coroas e confetes, imagina como eu me sinto quando alguma coisa não dá certo. Quando eu falho feio. Quando dá bosta. Quando a vida te fode gostoso.

E claro, pra desviar de tudo isso, meu humor muito adulto e sofisticado sempre ajudou a desviar a atenção e enquanto todos riem, escondo a sujeira debaixo do meu tapete, que ta ficando meio alto já, de tanta tranqueira acumulada.

Eu já fui muito menos aberto (no pun intended). As amigues do tempo de ensino médio sempre reclamavam... que eu sabia até o desenho da depilação intima delas e de mim ninguém sabia nada. E não tinha nada mesmo pra saber, eu sempre fui desinteressante.

Fui começar a ser verdadeiro com os outros – e comigo – quando conheci gente de longe, ou pelo menos, que pareciam estar tão longe. E hoje em dia são as mais próximas. No sentido necessário da palavra. Engraçado.

Muita informação, né. Nessa brincadeira de esconder quem a gente é, a gente se confunde e esquece do que a gente de fato gosta e quer pra gente. Voltando mais um pouco no tempo, primeiro orgulhinho foi eu ser quase uma Matilda. Li super cedo, parava na rua pra ficar lendo placa. Tonto. Mamãe amava. Tantos livrinhos infantis... coisa bonita de se ver. Hoje não leio nem o cupom fiscal de alguma compra pra ter certeza que não estão me cobrando a mais. Ok, mentira. Mas é que DE FATO, não leio lá muita coisa produtiva. Só tenho lido bobagens, mas é mais pela necessidade de usar isso como uma forma de me desligar dos compromissos. Ah, os compromissos. Logo mais volto neles.

Daí que nessas indas e vindas de personalidade e vida, subentendi que é, o que eu poderia arriscar fazer era investir em alguma coisa ligada à isso. Humanas. É, acho que é pra mim. No ensino médio tinha a Nathi ao meu lado, toda Humanas também. Ela tinha certeza de que queria ser jornalista. Eu não tinha tanta assim, mas me envolvi. Ainda tava na dúvida, porque: eu não sei escrever. E isso é claro, olha quanta volta eu to dando aí em cima pra chegar a: lugar algum, to só com vontade de escrever. Daí eu tinha um plano de vida: Faço letras, aprendo a escrever, viro jornalista, fico famoso, fico lindo, fico rico, morro.

Só que claro, eu não sei sonhar baixo e na hora de preencher a inscrição eu pensei bem e, porrãn, quatro anos só aprendendo a escrever é UM POUCO DEMAIS, EIN. – Dizia o Humanaszinho. HAHA. Vou logo encarar o jornalismo, WHO CARES com nota de corte? Vamo enfrentar essa parada aí. Rir pra não chorar.

É óbvio que eu não passei em jornalismo? E pensar que minha nota da época daria pra passar tranquilão em letras, ou administração – curso que me formei de fato em uma faculdadezinha de merda – ainda tira o meu sono às vezes. Saí do jornalismo porque com aquele valor de mensalidade na Privada (risos) que eu tava fazendo não me restava verba pra MAIS.NADA. E olha que nem trabalhar eu trabalhava. Eu to falando de VERBA ALHEIA. Fui atrás de algo mais rentável (engano!) que era a administração.

O resto da história todo mundo conhece.

Quer dizer, não deu nada certo. Mas eu me acho jovem o suficiente pra tentar de novo. Posso? É, toda essa volta pra falar que eu to numa vontade louca de fazer Letras. É o que eu quero pra vida? Não sei. Depois vou querer fazer jornalismo? Não sei. Vou trabalhar com isso? Potencialmente não. Mas eu só SINTO que preciso fazer isso. É como uma fase de vídeo game que você conseguiu passar, mas sem pegar todos os bônus, sabe? Aí lá na última tela você descobre que faltava aquela chave dentro do baú que você usou só pra subir no muro.

Acho linda a minha vontade. Mas né, nesse mundo querer não é poder, pelo menos não de imediato. Daí que todo ano eu me convenço de todo esse blábláblá que agora eu to expondo. E o que acontece? Nada, porque eu sou um acomodado. MAS EU PRECISO MUDAR.

Esse ano vou prestar aquele velho vestibular, que há seis anos atrás eu jurei nunca mais prestar. Vou passar? Provavelmente não. Porque eu não estudei nem pra apresentação do meu trabalho de conclusão de curso e você acha que eu to estudando conhecimentos do ensino médio? Pã!
Mas se eu não fizer isso, não vou começar nunca a estudar. É bom fazer uma dessas provas pra gente relembrar também, né. Faz tanto tempo que não passo mais de quatro horas com o cu na cadeira de madeira. Vai ser bom. Eu acho. E é um avanço enorme eu partilhar isso aqui, sabendo que mesmo que meu nomezinho lindo não aparecer lá na lista, tudo bem também, eu já fiz muito mais coisa pra me envergonhar nessa vida.

Que com isso eu me liberte pra mais coisas. E que eu pare de publicar posts que só o Word lê. Quero que o mundo (oi, Érika, só você me lê.) me leia. ABS. Sendo eu certo, ou errado. Mas sendo alguma coisa, seja lá o que for.

Já tão zuado isso aqui que vou terminar com uma música:




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Srs polícia


É oficial, estou dirigindo. Ainda não digo que bem. Desviar de buracos ainda é um sério problema pra mim, o carro dá umas engasgadas sem motivo aparente, os ônibus teimam em me dar farol alto quando eu to na direita, ninguém entende que o motivo de parar longe do carro da frente é porque eu espero que façam o mesmo comigo.

Eu achei que esse processo seria bem mais doloroso do que de fato foi. Cheguei a cogitar ter aulas de volante com um psicólogo, SEI LÁ, eu tava desesperado e tenho prazo pra começar a dirigir sozinho. Meu emprego tá dependendo disso aê, não dá pra bobebar. Tem mais gente contando comigo nisso. Eu dirigindo foi pura NECESSIDADE, eu nunca tive vaidade, orgulho ou VONTADE de dirigir. Sério, nunca quis. Tirei carta porque tava na idade, tipos fazer catequese.

Daí que comprei o caralho do carro e não teve saída, vamo aprender a dirigir. Meu pai me acompanha toooodo dia pro trabalho de manhã e volta com o carro pra casa, porque eu ainda me cago de ir sozinho. Tinha problema com caminhões e no meu caminho tem terminais de carga, tinha problema com rampas e no meu caminho tem umas subidas que mais parecem looping. Treinei, treinei e treinei. Pronto, passou, tá tudo bem agora. Falta a prática, mas eu sei que posso parar numa subida e não vou passar – tanto – vexame.  Quanto aos caminhões eu ainda solto uns gritos quando algum passa perto, mas TO SUPERANDO.

Daí que hoje, to eu lindo e maravilhoso próximo já do trabalho e eis que surge um SR POLÍCIA no meu próprio caminho acenando para que eu: parasse? Fiquei na dúvida e meu pai me lembrou que eu deveria PARAR hahaha Gente, que sensação terrível. Era como se eu tivesse roubado um carro, fosse um fugitivo internacional e no porta-malas eu estivesse carregando 300Kg de cocaína. A gente ta com tudo certo, documentação em dia, mas o psicológico NÃO ENTENDE.

Bom dia, seus documentos e a documentação do veículo. E CADÊ a coordenação motora pra tirar os documentos da carteira? Sério, eu tremia tanto, mas tanto. mas.TANTO. Fico pensando se esse pavor rola com todo mundo. Porra, eu não tinha NADA de errado, mas o medo tomava conta. E ter medo de quem – teoricamente, veja bem, utopia etc – ta ali pra cuidar da gente é uma parada totalmente irracional. Pediram meu endereço e telefone, acho que tinham meta pra cumprir, sei lá. Depois que ele devolveu os documentos e desejou um bom dia, saí todo atrapalhado dando ré – estamos trabalhando nisso – e vi que outro cara do meu trabalho também estava sendo parado.

Ufa, né, pelo menos não sou só eu que tenho cara de que precisa ser parado em batida policial. Saí de lá pensando se isso não é uma forma de identificar a pessoa. Se nego se treme todo, certeza que tá tudo certinho. Se agir normalz é porque OPA, tem alguma coisa errada nissaê. Lógico que inquietação e olhos dilatados devem ser levados em conta, mas deveriam adotar o nervosismo de quem ta passando por isso como fator decisório pra liberar mais rápido a passagem. Not fair. Cagaço ficar lá com os Srs polícia.

Chegando no trabalho ainda tive que ouvir piadinha, porque eu contei que os polícia pediram o telefone e o outro cara disse que pra ele não pediram nada não. No cu dos outros é refresco, blz. Minha prima me contou que a primeira vez que a pararam ela já tinha 30 anos DE CARTA. Se tremeu toda também, desaprendeu a falar. Ainda bem que já foi logo comigo, era um dos meus medos.

E assim como todos meus medos: acontecem. Mas é bom, porque daí eu já vejo que não é assim aqueeeeeeeele monstro que eu imagino. Ainda tenho medo de atropelar ciclistas e velhos atravessando a rua. Não percam os próximos capítulos. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

os amigos que não tive ou evitava ter. q


Vida, sua comédia.
Fico pensando em como a gente cria falsas ilusões. A gente não, eu. Um exemplo: no meu antigo emprego, tinha um cara que eu tinha pouco contato, mas que só dele sentar na mesa com a gente, pra almoçar, eu já sentia náuseas. Arrogância exalava dele.
Talvez fosse o fato de saber que ele só tava ali porque tinha nome e assim ele conseguia as coisas ‘mais facilmente’. Assim até eu consigo, eu pensava.

Daí que o mundo deu uma voltinha e bang! Descobri que na nova proposta de emprego eu iria trabalhar junto com ele. Fiquei preocupado, pensando no santo que não ia bater, no jeito arrogante, no aparente mau humor matinal, nas intromissões. Lembrei do dia que ele me viu com meu Blackberry. Parecia criança descobrindo que o amiguinho sabia brincar do mesmo jogo dele. Queria saber de aplicativos que eu usava e só não pediu que eu o seguisse no twitter porque ele obviamente esperava que eu pedisse primeiro. Erro.

Bom, e lá to eu no emprego novo, sem carona, sem lugar pra almoçar... Ele já estava lá por um tempo e uma coisa levou à outra. A gente ia almoçar juntos, ele me dava carona algumas vezes até um lugar mais acessível. Nada de mais. Mas não tem como a gente não conhecer mais da pessoa.
Acabou que ele não era esse monstro todo. Tirando o mau humor matinal, to pra dizer que o acho até legal. A gente partilha alguns interesses em comum, acho até que temos um interesse em comum que ele ainda nem sabe, mas existe, que eu sei.

É bom trabalhar com gente que quando nos vê apurado, ajuda. Atenção: não vale SE DISPOR a ajudar, tem que de fato levantar o boomboom da cadeira, pegar um telefone, passar uns e-mails e, pronto, vir com a solução. Descobri que ele não tem medo das coisas banais, que ele não tem medo de abraçar problemas que nem dele são, que na real tem medo de nada, a não ser aranhas. Me senti idiota. Quase mal agradecido, por saber que com gente que temos em comum, eu cheguei a zombar da situação. Erro grave.

E o mais legal é que eu precisei ter isso no trabalho, pra identificar na vida quantas vezes eu fiz isso. Dá uma dor no peito, acho que se chama culpa... Ou arrependimento. Porque culpa a gente sente mesmo de algumas coisas, normal. Mas nem sempre rola um arrependimento verdadeiro. Gente que pelo pouco contato achamos ser uma coisa, ouve uma história perdida aqui, outra ali e opa, ta decidido, eu não vou com a cara dele. Nunca gostei, nunca vou gostar. PÃ!

Mas a vida, essa linda, sempre te dá esse tapinha na cara, com luva de pelica rosa e te aproxima de quem você não espera. Te surpreende. E então o sentimento é de como quando você descobre um seriado, que tanta gente já assistiu, mas você ainda desconhecia. É como ver um filme que adiava assistir e de repente se apaixona pela história. Aquele vazio, aquela sensação de tempo perdido. AI, se eu tivesse descoberto isso antes!

No caso específico, meu novo colega de trabalho vai ser transferido e sabe Deus o que me aguarda depois que ele sair de vez. Ele já não vem mais todos os dias, ta fazendo um tipo de treinamento. Bizarro: a sala fica mais quieta e eu sinto falta dele vir com o notebook na minha mesa, me mostrar um vídeo, ou uma imagem engraçada – nem sempre nova, mas. Comentar algo maldoso de alguém no Facebook dele e tudo mais.

Surge uma vontade de pedir desculpas, sabe. Mas daí imagina explicar que a pessoa antes não tinha mérito pra participar da tua vida, mas ela GANHOU isso. Haha
Soa pior, eu acho. A arrogância que antes eu só via nele notei que, ixi, tava em cima de mim também. Que coisa. E com todas as outras pessoas também... não deve valer a pena. Como diriam: quanto mais mexe, mais fede.

Que essa falta que ele já faz me sirva de lição. E que ela seja o suficiente pra eu nunca me esquecer, e assim, não ter mais essa sensação ruim. Já aprendi, Karma, pode parar. E pra ajudar, esses dias ele me ligou sem compromisso, só pra ver se tava tudo legal, me contou de um e-mail que recebeu. Assim, sem querer nada, sem precisar avisar nada... ‘Só pra dar um oi mesmo’.

Calma, não to insinuando nada não, longe... BEM LONGE disso. E olha que eu sou louco pra achar sinais onde não tem. Sério, não têm nada além de amizade nessa ligação dele. Mas de fato, me desconcertou. Pensei quantas ligações dessas eu já recebi. Dá pra contar nos dedos. E Deus me livre, também não quero, quem me conhece sabe que eu odeio telefone, salvo raras exceções – e trabalho. Quer me fazer feliz? Me manda um inbox, me conta teu dia no e-mail, abre aí a janela do msn. Mas pra quem não sabe disso, é de se considerar.

Nem sei porque to escrevendo sobre isso. É mais um note to self do que vontade de compartilhar. Mas que fique exposta aqui esta ferida. Vejam bem como ela é, porque dói. A minha eu to cuidado e passando remédio... logo fica tudo bem.

domingo, 5 de junho de 2011

Mixtape #010



Enjoy the Silents (Akira Yamaoka VS Morcheeba VS Benga & Coki) - Colatron
Go Outside - Cults
Black Song - White Lies
Lovesong - Adele
Taxi Cab - Vampire Weekend
Remember to Forget - Shane Mack
I Came Here to Get Over You - Brandon Flowers
Dancing at a Funeral - Brett Dennen
Life Love Laughter - Donavon Frankenreiter
The Bus - Peixoto & Maxado
FAIXA BÔNUS - *boooom*