quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um Sonho.(?)


Matusaelizando



Poderia ter sido a lente queimando seus olhos, a luz do sol que começava a entrar pela fresta da cortina da sala, ou algum ronco que vinha de outra pessoa que ali dormia. Tudo junto. Outros diriam que foi um alien, o espírito da noiva ou um galo zumbi. Tiago acordou virado para o forro de madeira no teto, visualizando manchas brancas, que desenhavam o contorno de seus amigos espalhados pelo chão.

Lembrou-se da noite anterior, quando só conseguia enxergar o vaga-lume que ficou trancado para dentro. Ele piscava e Tiago gritava exaltado. Chegou a lembrar alguma piada interna, sobre coisas que piscam. Pôde ouvir as risadas de Érika e Thalita vindas da outra sala. Era tão bom ouvi-las sabendo que elas estavam logo ali.

Sentou-se na cama, tomando coragem para começar mais um dia. Aliás, mais um ano. O primeiro dia do ano. Olhou para o lado e viu Marcos descabelado, numa posição que muitos ali nem acordados e alongados conseguiriam reproduzir. O braço para fora da coberta, metade caído no chão, tocando de leve o aparelho celular com as pontas dos dedos. Nem dormindo ele desgrudava do aparelho. Tiago sorriu, lembrando de Marcos tomando sol com o celular na orelha. Vislumbrou Marcos com uma marca branca no rosto no formato do celular. Riu em voz alta. Ninguém sequer notou.

Café. Ele precisava de café. Num outro colchão aos seus pés, Matusael dormia com um sorriso no rosto, provavelmente sonhando com algum webhit maravilhoso, montando piadas para usar durante o dia. Na beirada do seu colchão havia uma latinha de cerveja, provavelmente cheia e quente.

Com medo de derrubar a cerveja, tentou sair pelo outro lado, passando por cima do Marcos, e quase pisou um pequeno casulo que havia se formado com o edredom. Era Camila. Ela dormia como se nunca houvesse dormido na vida. Respirava profundamente, como se precisasse de ar, como se minutos atrás tivesse quase se afogado. Mas talvez fosse só o calor do edredom.

Passou por Victor, Guilherme, Gabriel e Cauê, desviando dos colchões. Onde estava Thali?, pensou. Na cozinha, garrafas vazias de conhaque, groselha e tequila. No balcão, tomado por celulares e óculos de sol, uma maça toda mordida. Cinzas do narguile espalhadas por todo lugar. CIGARRO. Tiago precisava de cigarro. E café. Começou a abrir os armários, procurando algo para ferver a água. Releu o recado na geladeira, informando que o show havia sido cancelado. Quase teve um ataque.

Após pegar uma chaleira, foi para a cozinha de fora, onde ficava o único fogão que funcionava. Na pia, resquícios de uma panelada de brigadeiro deliciosa, um molho branco que surgiu devido ao milagre da multiplicação, um leve cheiro de arroz queimado, uma salsicha abandonada e uns potes vazios. Perguntou-se onde estava a carne - apesar de fora da geladeira, ela deveria estar ali. Talvez estivesse em outro lugar.

Voltou à casa, para buscar o isqueiro. Vazio. Eles usaram para acender o carvão do narguile na noite anterior. Foi procurar outro isqueiro, daqueles de padaria, na cor laranja, que a Paula havia pegado emprestado com o caseiro. Talvez estivesse no quarto. Passando pelo corredor, viu a pia caída no chão. E um cheiro de queimado – ou merda – no ar. Tentou puxar pela memória o que havia acontecido, mas o cheiro estava mais forte do que a vontade de lembrar e continuou caminhando.

Thali estava num dos quartos, encolhidinha numa das camas, dormia virada pra janela, com o sol já batendo em seu rosto. Estava serena, talvez até triste. Nostálgica? Essa época do ano mexe com nossas emoções. Tiago quis abraçá-la e dizer que estava tudo bem. Mas resolveu não acordá-la. Deixá-la descansar era a decisão mais sábia para que depois eles pudessem pirar durante o dia e rir até o mundo acabar.

Passou pela sala novamente, vendo Paula entre Arthur e Bruno. Um sanduíche que invejaria qualquer pessoa. Torceu para alguém estar acordado, para que ele pudesse fazer alguma piada ou repetir que aquilo esticado não era o joelho dos meninos. Mas ainda dormiam. Na mesa da outra sala, encontrou o isqueiro e um maço do cigarro mentolado, que ele achou que havia acabado. Estava embaixo de um iPod preto. Resolveu ver qual a última música havia sido tocada, mas o aparelho estava bloqueado. Mais fácil seria chocar um ovo de dragão com sucesso do que descobrir aquela senha. Havia outro iPod no deck, a música pausada era Make me Feel, do Cobra Starship.

Acendeu a boca do fogão, ferveu a água, preparou o café e voltou para a varandinha, na frente da casa. Sentou-se no chão, entre alguns pedaços de frango avermelhados. Tomou seu café e fumou o cigarro mais delicioso da sua vida. Ele tinha tudo o que precisava ali, entre as árvores daquele lugar. Tirou o celular do bolso para verificar as horas e, no reflexo da tela, viu como seu olho estava inchado. Ele chorou na noite passada. Sentiu-se bobo.

Lembrou-se de ter ido até o meio do gramado, seguindo um vaga-lume e tentando se aproximar. Virando-se para a casa, viu as pessoas ao redor da mesa. Mesmo Alana, que era a mais nova integrante do grupo, já estava entrelaçada em todos. Tiago tinha medo que o grupo desapontasse Bruno e ela, que antes nunca tinham passado tanto tempo junto assim com todos eles. Mas não, mais uma vez estava provado que alguma coisa ali era maior, maior do que as diferenças entre eles. O que tinham em comum era mais forte.

Guilherme tinha acabado de deixar o violão de lado e ia em direção à mesa. E, entre tantos que Tiago gostaria que estivessem ali celebrando, lembrou-se de Luciane. Divagou sobre o futuro, imaginando ela com Guilherme, de mãos dadas, esperando em fila para se servir de algum prato especial de ano novo que Arthur tivesse feito com todo amor e carinho do mundo para todos.

Érika ria, sentada na ponta da mesa, como todo bom chefe de família faz. Da nossa família de escândalos e luxúria. Ela apontava para Victor, que rodopiava pela sala, emulando as lindas luzes de uma aurora polar e quase derrubando Bruno, que vinha com uma taça de champagne na mão. Que caiu, obviamente, quando Gabriel chegou fazendo um bate cabeça com os dois. Todos riram e Érika comentou algo com alguém que estava ao seu lado. E de repente, Tiago notou que todos ali estavam acompanhados. A mesa na verdade havia dobrado de tamanho, o sítio também. Sequer era o mesmo sítio.

Ao olhar para trás, Cauê vinha de outro canto das árvores, seguido por algumas crianças, e em cada uma Tiago via os traços de seus amigos: fosse um cabelo loirinho, um sotaque mineiro, os olhos claros característicos, os olhos escuros, a alegria de viver, a bondade, ou a acidez. Todos com lanternas nas mãos, explorando a noite. Paula vinha ao fundo, de mãos dadas com alguma criança que visivelmente estava morrendo de medo, mas que estava encantada com a canção que Paula tentava ensinar as crianças. Cauê reforçava que a rua não era dos gordos e Paula se desmanchava.

Tiago era a terceira pessoa naquela visão. Um voyeur. Tudo estava intacto, minimamente planejado, todos vestiam branco, riam expansivamente. Breno esbravejava com Arthur alguma coisa sem o menor sentido, enquanto Tiago abraçava Alana na cozinha para provocá-lo. Todos estavam tão diferentes e tão iguais. Eram os mesmos na personalidade, mas com uma alegria diferente... Potencializada. Estavam realizados.

Perdido em emoções, sentiu Paula abraçando-o e logo todos estavam a sua volta, pulando e comemorando. Acordou do transe. Com lágrimas nos olhos e um nó na garganta, voltou para dentro, deu uma olhada para cada um e perguntou-se se aquele ano-novo seria repetido outras vezes. Em seu monólogo mental, concluiu que sim, não foi só uma alucinação.

E lembrou-se do sorriso que deu, olhando para seu prato na mesa, imaginando as possibilidades infinitas de felicidade que aguardavam cada um daquele grupo. Viu novamente em um flash a família crescendo, com pessoas que não se importam se você é gordo, magro, gay, branco, preto, amarelo, indie, metaleiro, pagodeiro, espírita, evangélico, católico, vegetariano, se só toma suco de maracujá, se só toma no cu, se quebra pias, se larga a cerveja no banheiro, se joga casca de banana no chão, se te bate na cara, se vomita no seu pé ou se te acordam delicadamente rolando por cima de você.

E o cigarro já queimava a ponta dos seus dedos. Abriu a porta da sala, colocou Glamurosa no último volume e rolou por cima daqueles corpos maravilhosos, não sabendo mais se divagava ou se estava acordado. Então começou a ouvir os gritos de dores de um Arthur muito bravo, com suas queimaduras de sol, sono e rinite. Enxotado por ele, Paula e Bruno, rolou por cima de todos e parou sobre Érika com um abraço e um beijo.

É tão bom estar em casa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

#012


Parece piada, mas não é:
Hoje um louco me entra na lateral do carro, a pé, sozinho, debatendo sua sacola contra o vidro.
Susto pra uma vida inteira. Quero mais falar nisso não. Cantar pra espantar os males, que ganho mais!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

and i'll change it all again


Eu nunca quis ser nada. Sério, ainda não quero. E tenho uma certeza de que nunca vou querer. Todo mundo que eu conhecia queria ser alguma coisa. Isso me frustrava, porque além de TODAS AS OUTRAS COISAS que a sociedade teimava em afirmar que eu não me encaixava, ainda tinha mais essa. Que vidinha de merda, ein, moço.

Algum psicólogo algum dia talvez possa explicar, mas eu nunca gostei de ser o melhor em nada. Desde super pequeno eu gostava de nadar. AMAVA, na real. Ainda gosto, mas deixa isso pra outro post... Então, eu era um super peixinho lindo, que freqüentava o clube com a Madrinha. Comecei a ter aulas dessa delícia e amava ir lá brincar com aquelas pranchinhas amarelas ridículas. Depois de pouco tempo, me botaram na piscina funda e falaram que eu tava bom é pra competir. CALMA, O QUE? Tão lindo que todo mundo amou, tão triste que na hora eu quis parar de nadar. ME DEIXA, não quero medalhas, só quero ficar aqui com minha pranchinha amarela onde me dá pé, valeu aí, vou dispensar a borboleta.

Talvez tenha a ver com a escola também. Quando estudava em escola pública eu era o melhor do mundo da minha sala. Sem brincadeira nenhuma, os professores me amavam, minha mãe ia toda orgulhosa em reunião de pais e a vida era boa. Quando eu entrei em escola particular eu vi que bem, eu não era tão bom assim não. Aliás, eu tava bem atrasado em relação à galera. Baque profundo. Daí eu acho – to supondo, ta, não sou psicólogo, sou jornalista – que isso me afetou tanto que eu simplesmente não conseguia mais mostrar absolutamente nada que eu produzia.

De um desenhinho babaca até uma prova de matemática. Nem minhas notas eu gostava que vissem. Fosse um 10 ou um 5,5 que com a participação arredondava pra 6 e eu tava salvo. Não me orgulho do fato, mas o medo de alguém ser melhor em algo que você é assustador demais pra mim. Eu não soube MESMO lidar com isso. Ignorância é o melhor caminho, a gente não sabe, a gente não sente... a gente vive mega di bouas.

Uma vez teve um concurso de frases bonitinhas sobre meio ambiente (SEI LÁ) e daí valia nota e eu acabei entregando. Publicaram na agenda de todos os alunos no ano seguinte, com.meu.nome.embaixo. A vontade era enfiar a cara pelo cu e morrer de vergonha, sufocado, mas depois de uns meses ninguém mais notava. Quibom.

Tudo isso pra chegar a um ponto: Se eu não curto muito nem ser visto com coroas e confetes, imagina como eu me sinto quando alguma coisa não dá certo. Quando eu falho feio. Quando dá bosta. Quando a vida te fode gostoso.

E claro, pra desviar de tudo isso, meu humor muito adulto e sofisticado sempre ajudou a desviar a atenção e enquanto todos riem, escondo a sujeira debaixo do meu tapete, que ta ficando meio alto já, de tanta tranqueira acumulada.

Eu já fui muito menos aberto (no pun intended). As amigues do tempo de ensino médio sempre reclamavam... que eu sabia até o desenho da depilação intima delas e de mim ninguém sabia nada. E não tinha nada mesmo pra saber, eu sempre fui desinteressante.

Fui começar a ser verdadeiro com os outros – e comigo – quando conheci gente de longe, ou pelo menos, que pareciam estar tão longe. E hoje em dia são as mais próximas. No sentido necessário da palavra. Engraçado.

Muita informação, né. Nessa brincadeira de esconder quem a gente é, a gente se confunde e esquece do que a gente de fato gosta e quer pra gente. Voltando mais um pouco no tempo, primeiro orgulhinho foi eu ser quase uma Matilda. Li super cedo, parava na rua pra ficar lendo placa. Tonto. Mamãe amava. Tantos livrinhos infantis... coisa bonita de se ver. Hoje não leio nem o cupom fiscal de alguma compra pra ter certeza que não estão me cobrando a mais. Ok, mentira. Mas é que DE FATO, não leio lá muita coisa produtiva. Só tenho lido bobagens, mas é mais pela necessidade de usar isso como uma forma de me desligar dos compromissos. Ah, os compromissos. Logo mais volto neles.

Daí que nessas indas e vindas de personalidade e vida, subentendi que é, o que eu poderia arriscar fazer era investir em alguma coisa ligada à isso. Humanas. É, acho que é pra mim. No ensino médio tinha a Nathi ao meu lado, toda Humanas também. Ela tinha certeza de que queria ser jornalista. Eu não tinha tanta assim, mas me envolvi. Ainda tava na dúvida, porque: eu não sei escrever. E isso é claro, olha quanta volta eu to dando aí em cima pra chegar a: lugar algum, to só com vontade de escrever. Daí eu tinha um plano de vida: Faço letras, aprendo a escrever, viro jornalista, fico famoso, fico lindo, fico rico, morro.

Só que claro, eu não sei sonhar baixo e na hora de preencher a inscrição eu pensei bem e, porrãn, quatro anos só aprendendo a escrever é UM POUCO DEMAIS, EIN. – Dizia o Humanaszinho. HAHA. Vou logo encarar o jornalismo, WHO CARES com nota de corte? Vamo enfrentar essa parada aí. Rir pra não chorar.

É óbvio que eu não passei em jornalismo? E pensar que minha nota da época daria pra passar tranquilão em letras, ou administração – curso que me formei de fato em uma faculdadezinha de merda – ainda tira o meu sono às vezes. Saí do jornalismo porque com aquele valor de mensalidade na Privada (risos) que eu tava fazendo não me restava verba pra MAIS.NADA. E olha que nem trabalhar eu trabalhava. Eu to falando de VERBA ALHEIA. Fui atrás de algo mais rentável (engano!) que era a administração.

O resto da história todo mundo conhece.

Quer dizer, não deu nada certo. Mas eu me acho jovem o suficiente pra tentar de novo. Posso? É, toda essa volta pra falar que eu to numa vontade louca de fazer Letras. É o que eu quero pra vida? Não sei. Depois vou querer fazer jornalismo? Não sei. Vou trabalhar com isso? Potencialmente não. Mas eu só SINTO que preciso fazer isso. É como uma fase de vídeo game que você conseguiu passar, mas sem pegar todos os bônus, sabe? Aí lá na última tela você descobre que faltava aquela chave dentro do baú que você usou só pra subir no muro.

Acho linda a minha vontade. Mas né, nesse mundo querer não é poder, pelo menos não de imediato. Daí que todo ano eu me convenço de todo esse blábláblá que agora eu to expondo. E o que acontece? Nada, porque eu sou um acomodado. MAS EU PRECISO MUDAR.

Esse ano vou prestar aquele velho vestibular, que há seis anos atrás eu jurei nunca mais prestar. Vou passar? Provavelmente não. Porque eu não estudei nem pra apresentação do meu trabalho de conclusão de curso e você acha que eu to estudando conhecimentos do ensino médio? Pã!
Mas se eu não fizer isso, não vou começar nunca a estudar. É bom fazer uma dessas provas pra gente relembrar também, né. Faz tanto tempo que não passo mais de quatro horas com o cu na cadeira de madeira. Vai ser bom. Eu acho. E é um avanço enorme eu partilhar isso aqui, sabendo que mesmo que meu nomezinho lindo não aparecer lá na lista, tudo bem também, eu já fiz muito mais coisa pra me envergonhar nessa vida.

Que com isso eu me liberte pra mais coisas. E que eu pare de publicar posts que só o Word lê. Quero que o mundo (oi, Érika, só você me lê.) me leia. ABS. Sendo eu certo, ou errado. Mas sendo alguma coisa, seja lá o que for.

Já tão zuado isso aqui que vou terminar com uma música:




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Srs polícia


É oficial, estou dirigindo. Ainda não digo que bem. Desviar de buracos ainda é um sério problema pra mim, o carro dá umas engasgadas sem motivo aparente, os ônibus teimam em me dar farol alto quando eu to na direita, ninguém entende que o motivo de parar longe do carro da frente é porque eu espero que façam o mesmo comigo.

Eu achei que esse processo seria bem mais doloroso do que de fato foi. Cheguei a cogitar ter aulas de volante com um psicólogo, SEI LÁ, eu tava desesperado e tenho prazo pra começar a dirigir sozinho. Meu emprego tá dependendo disso aê, não dá pra bobebar. Tem mais gente contando comigo nisso. Eu dirigindo foi pura NECESSIDADE, eu nunca tive vaidade, orgulho ou VONTADE de dirigir. Sério, nunca quis. Tirei carta porque tava na idade, tipos fazer catequese.

Daí que comprei o caralho do carro e não teve saída, vamo aprender a dirigir. Meu pai me acompanha toooodo dia pro trabalho de manhã e volta com o carro pra casa, porque eu ainda me cago de ir sozinho. Tinha problema com caminhões e no meu caminho tem terminais de carga, tinha problema com rampas e no meu caminho tem umas subidas que mais parecem looping. Treinei, treinei e treinei. Pronto, passou, tá tudo bem agora. Falta a prática, mas eu sei que posso parar numa subida e não vou passar – tanto – vexame.  Quanto aos caminhões eu ainda solto uns gritos quando algum passa perto, mas TO SUPERANDO.

Daí que hoje, to eu lindo e maravilhoso próximo já do trabalho e eis que surge um SR POLÍCIA no meu próprio caminho acenando para que eu: parasse? Fiquei na dúvida e meu pai me lembrou que eu deveria PARAR hahaha Gente, que sensação terrível. Era como se eu tivesse roubado um carro, fosse um fugitivo internacional e no porta-malas eu estivesse carregando 300Kg de cocaína. A gente ta com tudo certo, documentação em dia, mas o psicológico NÃO ENTENDE.

Bom dia, seus documentos e a documentação do veículo. E CADÊ a coordenação motora pra tirar os documentos da carteira? Sério, eu tremia tanto, mas tanto. mas.TANTO. Fico pensando se esse pavor rola com todo mundo. Porra, eu não tinha NADA de errado, mas o medo tomava conta. E ter medo de quem – teoricamente, veja bem, utopia etc – ta ali pra cuidar da gente é uma parada totalmente irracional. Pediram meu endereço e telefone, acho que tinham meta pra cumprir, sei lá. Depois que ele devolveu os documentos e desejou um bom dia, saí todo atrapalhado dando ré – estamos trabalhando nisso – e vi que outro cara do meu trabalho também estava sendo parado.

Ufa, né, pelo menos não sou só eu que tenho cara de que precisa ser parado em batida policial. Saí de lá pensando se isso não é uma forma de identificar a pessoa. Se nego se treme todo, certeza que tá tudo certinho. Se agir normalz é porque OPA, tem alguma coisa errada nissaê. Lógico que inquietação e olhos dilatados devem ser levados em conta, mas deveriam adotar o nervosismo de quem ta passando por isso como fator decisório pra liberar mais rápido a passagem. Not fair. Cagaço ficar lá com os Srs polícia.

Chegando no trabalho ainda tive que ouvir piadinha, porque eu contei que os polícia pediram o telefone e o outro cara disse que pra ele não pediram nada não. No cu dos outros é refresco, blz. Minha prima me contou que a primeira vez que a pararam ela já tinha 30 anos DE CARTA. Se tremeu toda também, desaprendeu a falar. Ainda bem que já foi logo comigo, era um dos meus medos.

E assim como todos meus medos: acontecem. Mas é bom, porque daí eu já vejo que não é assim aqueeeeeeeele monstro que eu imagino. Ainda tenho medo de atropelar ciclistas e velhos atravessando a rua. Não percam os próximos capítulos.