quarta-feira, 2 de março de 2011

Meu coração ta disparado, meu corpo ta viciado.


Eu sempre tive um pezinho no interior. Desde muito pequeno eu costumava ir a Rio Preto pra casa de uma amiga da minha madrinha, que tem um filho da minha idade e com isso era a desculpa perfeita pras lindas se encontrarem, porque eu e o filho dela nos dávamos super bem e enquanto a gente brincava de matar os pintinhos (no pun intended) e jogar vídeo game (daqueles de mil jogos em um), as lindas botavam toda a fofoca em dia.

Conforme a gente foi crescendo, a amizade também continuava bem, obrigado, e daí que meus pais também começaram a ir pra lá, e começaram a se dar bem com os pais da amiga da minha madrinha e foi virando uma bola de neve de amor sem fim. Tanto que chamo os avós dele, que se chama Thiago, de vô e vó. E os irmãos dos avós dele, de tio e tia. É bem bizarro, porque a galera chega até achar que a gente é tudo parente de verdade. E ninguém desmente.

Quando a gente cresceu um pouco mais – entenda como aquela época delicada de escola, onde tudo é motivo de zoação – a gente se afastou um pouco, porque ele não era idiota e ele sabia que alguma coisa tava “errada” comigo. Né. E eu sabia que “estava”. Então daí a gente já não se falava tanto no MSN, ou melhor o MIRC, que era o que a gente usava HAHAHAHAHA e rolava também horas online com Tíbia e Carom que aos poucos foram terminando. E daí a gente ficou uns cinco anos sem se ver.

Três anos atrás o pai dele teve câncer e infelizmente faleceu. Um dos funerais mais tristes que eu já estive na minha vida. Ele era um querido. Na época foi bem doloroso, nós pegamos um vôo correndo pra lá e chegamos a tempo de dar um último tchau pro nosso amigo que não estaria mais em vida com a gente. E naquela época eu e o Thiago quase não nos falamos. Meio que não tinha o que se falar. Ficamos lá mais dois dias, mas foi como se tudo estivesse preso numa tarde sem fim, uma tarde de silêncio, de inconformidade.

E daí após esses, hum, oito anos mais ou menos que a gente se afastou – mesmo se vendo uma vez no triste intervalo – meu pai (que eu acho que sofreu mais do que a MÃE do Thiago, com o falecimento e tal) estava com saudade dos meus tios e dos meus avós, e marcou de ir lá pescar no rancho do meu tio. E eu peguei carona, porque né, to de férias.

Estranho que é minha segunda viagem seguida quebrando paradigmas. Eu não sabia o que me esperava lá. Eu só sabia que tudo estaria com certeza bem diferente do que costumava ser. E eu não sabia se isso seria tão legal assim. E eu – THANKS GOD – estava errado, e tava tudo bem legal.

Logo que eu cheguei, ele me avisou que um colega da faculdade estava de aniversário e teria cervejada no bar. Oh, o bar! Ponto pra teoria que prega que não há assunto mal resolvido que não se dê jeito numa mesa de bar, com uma gelada. Ele chegou do trabalho, eu estava chegando do aeroporto, ele trocou de roupa, entramos no carro e fomos buscar uma amiga dele.

Eu confesso que estava com medo. Talvez de alguma indiferença que ele pudesse fazer, do tipo, alguém perguntar quem era aquele estranho no ninho e ele falar pelas costas que era o amigo viadinho da mãe dele e que ele teve que trazer na marra. HAHA. Mas BANG eu estava errado. Ele me apresentou a todos, fez com que eu me sentisse em casa. Apesar de eu não entender como eles conseguiam só beber cerveja e ficar tão alegres. Sinto falta de uma vodka, de uma tequila, sei lá, qualquer coisa pra misturar e subir. Ok, era uma CERVEJADA, mas a gente tava num bar, era só pedir. Quando eu vi, estava sentado com dois amigos dele, fumando, bebendo e convidando-os pra passar uma temporada em São Paulo.

Claro que um deles era lindo, claro que eu esqueci de contar que comprei cigarro no meio do caminho e isso já ajudou a quebrar o gelo e daí a gente subentendeu que é, as coisas não são mais as mesmas, mas ta tudo bem agora. E claro que tava tocando sertanejo. O cantor tentou um pop-rock, uma levada MPB, mas o público era implacável. Fosse um tempo atrás eu fecharia a cara e começaria minhas orações pra ir embora, mas eu também to diferente. Liguei o foda-se e me entreguei ao sertanejo, bem como todos os outros (cornos) presentes.

Quando o papo tava ficando bom e eu já tinha virado uma cachaça com limão com meus novos amiguinhos, a namorada do Thiago ligou e a gente teve que embora. Veja bem, é complicado, ele namora escondido, com uma menor de idade, estamos no interior, tudo é difícil. Ela disse que teve um tempinho pra fugir e lá sai a gente dirigindo correndo pela madrugada. Encontramos a guria e eu – wasted – tive que convencê-la de que o senhor seu namorado não havia bebido uma gota de álcool sequer e que nem fumado tinha. E no caminho eu ia mandando altoids na garganta dele e oferecendo creme para as mão, porque né, é o tipo de coisa que todo mundo que faz coisa errada deve carregar na mochila.

A namoradinha desceu, falou cinco minutos e subiu de volta pro apartamento, possessa. Fiquei puto, porque tava super legal no bar e ELA veio se intrometer. Pivetinha abusada. O Thiago ta de olho no cabaço dela, mas desculpa, eu não tenho nada a perder não. Peguei o celular dele e liguei, exigindo que a quenga descesse, porque OI, eu vim de outra cidade, estava me divertindo numa situação adversa, ela vem interromper e agora não ta a fim de conversar com meu amigo, mais conhecido como SEU NAMORADO? PRA CIMA DE MIM NÃO, GURIA.

Ela desceu e acabou que ela é um amor de pessoa. E boba, porque acreditou que o cheiro de cigarro era só meu. E que o namorado dela tava bebendo não, aquilo era sono, tava tarde. RISOS.

Legal é que chegando na casa dele, já quebramos mais uma barreira, porque eu, o Thiago AAAAAAAAND a mãe dele, fumávamos escondidos. E a gente meio que sabia. Logo, cheguei já oferecendo cigarro e pronto, paz na terra entre os homens fumantes de boa vontade. Daí a gente ia fumar no porão, porque o resto da família não podia saber hihihi. Eu sei, também me pergunto se a gente ainda tem 12 anos de idade.

No outro dia fomos ao rancho. Que na verdade é um condomínio fechado, cheio de casas fabulosas que dariam pra ser apresentados numa versão brasileira de CRIBS (a do meu tio não inclusa, claro), só que é lá no meio do mundo, rodeado de mato e na beira de uma: represa. Ah, represinha ordinária.

Todos, tirando eu e a mãe do meu amigo, gostam de pescar. Daí a rotina era meio que eles madrugando pra sair com o barco e a gente acordando quando o sol nascia, pra poder pegar um bronze e ficar da cor do pecado. Eles lá, tostando no barco, a gente tostando na piscina. A diferença é que eu não ficava fedendo peixe e além disso ainda me hidratava com caipirinha e cerveja o dia todo @_@

Triste era quando eles voltavam a tarde e daí tinham que buscar isca pra pesca do dia seguinte. Mas assim, aqui em São Paulo, você quer pescar, você vai na casa de iscas, compra lá sua massinha, compra até umas coisas mais nojentas tipos, bichinho de laranja ou minhoca e PRONTO, TA LINDO, vai lá pegar teu peixe. Lá não, lá você tem que ir pegar camarão (!) na beira da represa. Mas claro, que não na parte espraiada e bonitinha, tem que ser nuns barrancos cabulosos, cheio de vida. Plantas terríveis, cheias de espinhos, que te fazem coçar, que não gostam de você, que querem seu mal, querem que você morra ali, enroscado em suas raízes. E junto a estes visgos do diabo, há também mosquitos altamente treinados em sugar toda sua essência e pousar nos lugares mais difíceis, onde você não consiga de forma alguma afastá-los. E ah, eu mencionei que capturar os pobres dos camarões está proibido nesta época do ano? ALO POLÍCIA, NÃO SEI DE NADA, EU FUI COAGIDO. E fora isso, os donos dos terrenos lá em volta do condomínio, têm que afastar o gado de terceiros e daí como eles fazem isso? Com deliciosos fios de alta tensão, que assustam quando o chifrudo vai lá e mete a cara no fio e toma um TUIN de volta. Sim, e se tudo isso ainda não bastasse, ainda tem tipo uns CARANGUEIJOS que te beliscam o pé. GENTE, EU JURO. Sabia nem que tinha tanto bicho assim em água doce. Sem comentar sobre os possíveis bichos que poderíamos encontrar em terra. Coisa pra se contar pros netos.

Mas me pegaram nessa furada só por um dia, depois prometi que não voltava lá não, desculpa. E passei minhas tardes na rede, porque o sol era forte demais. E de noite, fumávamos o mais delicioso cigarro de palha que eu já experimentei. Apaixonei de um jeito, que só não fui atrás dele em alguma tabacaria por aqui por falta de tempo.

Sei que deu apertinho no coração na hora de voltar. Agora que dois grandes velhos amigos sabem tudo sobre mim, estão bem com isso e ainda podem acender um cigarrinho sem medo e passar horas falando merda comigo é de fazer a gente se relutar a querer a voltar pra vida real. Mas isso seria impossível e eu também tenho noção de que é um estado temporário de paz de espírito. Não demoraria pra eu começar a sentir falta da vidinha noturna. Mas ainda assim, chego a dizer que não foi boa, essa minha viagem foi necessária. E hoje, último dia de férias, posso dizer que deu sim, pra curtir, pra me estragar, pra descansar e pra pensar um pouco sobre essa minha senseless vida.








quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um último tiro no escuro.



- Ela viria cedo, se viesse. Ela sabe que se demorar, não entra. Se não veio até agora é porque não quer vir. Ou quer ter certeza de que não vai dar pra entrar.
- Você não sabe disso.
- Sim, eu sei sim.
- Vocês precisam se resolver, mas ainda assim, não aqui. Ninguém quer ter DR no meio da festa. Ou vão ficar os dois chorando, ou ainda mais brigados.
- A gente nunca brigou.
- Brigados, desentendidos, afastados... use a que quiser.
- ...
- E para de olhar pra lá, ela vem desse lado.
- Não, ela vem desse agora.
- Mas ela mora pra lá.
- Mas quando ela ta de carro, ou taxi, ou carona, ela vem por aqui.
- Como você pode saber disso?
- Eu só sei.
(...)


E veio, com aquele seu jeitinho de andar meio pulandinho, com o jeito que só ela prende o cabelo, fuçando nas pontinhas da mecha que sempre fica caída em seus ombros. Ela sempre fica enrolando o cabelo quando ta high. Ou nervosa demais. Ou os dois. Um oi. Dois ois. Ufa, três ois.

Eu queria abraçá-la por mais tempo. Perguntar se ta tudo bem mesmo, porque meu medo é de que não esteja. E se estiver tão errado quanto está pra mim, não sei se ela agüentaria. Mas ela parece estar bem. Então, é, só eu que estou sentindo falta do que eu nunca quis perder. Aliás, sentindo falta de alguém que eu admirei desde o primeiro momento. Até confundir sentimento já confundi.

Se declarar pra amigo é coisa difícil e que poucos corajosos arriscam fazer. Mas de todos os meus segredos, o único que eu não consigo esconder é o que estou sentindo. Falei na época e ouvi o que não queria, mas já esperava. Com o tempo vai passar – eu pensava. Não passou. Pelo contrário, só aumentou. Aumentou mais do que uma simples paixão, cresceu para um amor maior, que não cabe só no coração. Ele se espalha para seu corpo todo, para sua mente, para sua alma. A mais pura amizade. E de repente você não entende como sua vida pode um dia fazer sentido sem aquela amizade gostosa, pra quem você corre todo dia para contar absolutamente tudo. Enxergando sincronia em tudo o que é dito, em tudo o que é vivido.

Só que isso nos é tirado como se um ladrão, passando de bicicleta, puxasse seu colar. Primeiro o baque, sem entender o que está acontecendo. Depois você nota que algo está faltando, sem ainda entender você fica com raiva, muita raiva. Até que você entende que não pode fazer mais nada. O colar se foi. Você estará com ele em fotos, você se lembrará de como ficava bem com ele, de quantos momentos ele esteve com você. Quantos segredos ele não vivenciou com você? O que ele sabe? O que ele NÃO sabe?

Tanto pra se falar e apenas duas frases proferidas. Costas viradas, conversas em baixo tom. Um beijo, dois beijos. Nada de três dessa vez. Não sei, talvez ela não consiga mesmo se despedir. Minha vontade era sair correndo e agarrá-la pelo braço, forçar um abraço para que ela perdesse o ar. E com lágrimas nos olhos implorar por uma resposta. O que diabos aconteceu?

Mas eu já tentei isso. DUAS VEZES. E nenhuma resposta. Uma terceira vez seria emocionalmente desgastante demais e eu não sei, sinceramente, o que eu poderia fazer depois. Comigo, eu digo. Com ela eu nunca desejei nem nunca desejarei mal algum. Ela sabe disso. ELA SABE. Aliás, o que ela NÃO sabe?

O mais difícil é que quase ninguém sabe de metade do que está acontecendo. Então todos querem saber como ela está. E se a gente se viu. E se foi incrível. E por quê isso ou aquilo não aconteceu. Um suspiro longo, um sorriso amarelo e uma estratégica mudança de assunto. Sempre funciona. Ninguém quer de fato saber das coisas da sua vida. As pessoas só gostam de demonstrar que SABEM um pouco da sua vida. Por isso citam nomes e te lembram de alguma ocasião. As únicas exceções são essas pessoas, como ela, que não precisam perguntar se você ta bem, porque ela sabe. E que não precisa de permissão pra contar que ta passando pelo paraíso, ou pelo inferno. Você estará sempre lá e ela estará sempre lá... não é? Parece que não.

E o mais injusto que é outras pessoas que você ama tanto quanto, são obrigadas a ficar ouvindo seus questionamentos quanto a tudo o que está acontecendo. E elas se sentem incapazes e, talvez, até inferiorizadas, pelo amor delas não bastar. Mas não é questão de quantidade de amor. Não há ‘amar de mais’ ou ‘amar de menos’. Amar só tem uma medida. E se você consegue amar alguém mais, ou menos, é porque você não ama at all.

Eu só precisava desabafar, porque fazer eu não sei se ainda me resta algo além de sms, e-mail, MSN e presença física depois de viagem interestadual. Penso em telepatia. Na pior das hipóteses, fico te perturbando de longe, como eu sempre fiz. E você nunca pareceu se importar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

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Que eu amo Curitiba não é novidade nenhuma. Mas eu acho incrível como cada vez que eu vou pra lá eu volto mais e mais apaixonado. Com mais vontade de mudar minha vida, com mais vontade de mudar PRA LÁ. Hahaha

Eu estava super preocupado com essa viagem, ou melhor, apreensivo. Não sei. Muita coisa ta diferente desde a última vez que eu pisei por lá. Fiquei com medo do que poderia acontecer e do que poderia ~não~ acontecer. Eu estava rodeado de pessoas que eu amo e isso já me basta para que entre no meu top melhores momentos em vida. Mas eu devo admitir que não ter alguém com quem a gente está acostumado a ter ao nosso lado o tempo todo é horrível. É quase o mesmo sentimento de quando se está apaixonado, aquela sensação de que a pessoa irá saltar detrás de alguma coluna no shopping, ou vai passar de carro, ou vai atravessar a rua bem na sua frente. Sabe? Não desejo pra ninguém.

Eu poderia sim fazer um post gigante com tudo o que aconteceu, mas vou deixar que um vídeo Windows movie maker total diga por mim como foi um pouco desta viagem. Só tenho pra dizer que Batalha de Ipods é meu novo conceito de disputa, Volley é meu novo esporte favorito e agora é oficial, só gosto de gente mais velha.


Detalhe que fiquei EM CRISE pra escolher a música pra trilha sonora. Mas se fosse pra rolar uma playlist, seria esta:
AH, SEM ESQUECER DESSES DOIS CLÁSSICOS DA MPB

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

tchau, guaralhos.

Tenho uma nova concepção de vida, que diz que todo mundo precisa se mudar ao menos uma vez na vida. O que eu acho até meio que inevitável, porque oi, uma hora você vai ter que no mínimo abrir suas lindas e longas asas e voar pra longe de papai e mamãe, porque crescer faz bem. O que não é o meu caso, porque minhas asas ainda não são longas o suficiente. Ou mesmo que você viva com seus pais até que eles pereçam, seria legal respirar novos ares e se arriscar um pouco, não acha? Conquistar o que é seu e não o que foi deixado pra você. Just saying. O que também não é meu caso.

Eu estou me mudando dessa vez por falta de espaço mesmo, minha mãe que mais parece trabalhar pro serviço de menores abandonados, acabou por abrigar há uns anos atrás duas primas minhas que estavam numa fase difícil. Até aí tudo bem, nada contra, super apoiei, porque meu sangue tava no rolo também, família é pra essas coisas e etc.

Só que minha mãe esqueceu que ela não ta no mundo mágico, ela fez multiplicar os pães e os peixes, fez a água virar vinho e ta até curando os doentes, mas o feitiço extensor foi um pouco demais pra ela e daí foi ponto pra realidade, PONTO!

Não estou reclamando. Era um inferno dormir na sala e perder toda a minha privacidade? Era. Mas eu abri mão disso, não ela. Eu fiz questão disso na época e não me arrependo. Porque infelizmente todo mundo é assim, todos nós precisamos perder uma ou duas coisas pra sentir falta delas. É a vida acontecendo, senta aí e relaxa.

Só que todo mundo já estava estressado, um humilde apartamento onde sete pessoas moram, com um banheiro e uma das pessoas (oi, tudo bom?) dormindo na sala é meio complicado, incômodo e causa desconforto pra todo mundo. Sem mencionar os horários. Um acorda às 4:30, outro às 6:00, outro às 7:00. O horário da escola das crianças, fazer almoço pra todo mundo, dor de barriga conjunta... São tantos fatores que não sei nem enumerar, mas é algo que se imagine fácil, tenho certeza de que não é necessário fumar nenhum baseado pra pegar uma brisa louca e assim imaginar esta loucura. O processo é simples.

Bom, daí que finalmente resolvemos nos mudar, fizemos contas e mais contas, porque né, rico a gente não é pra sair por aí comprando casa e mobiliando. Rola toda uma dificuldade de planejamento. Mesmo tendo dois administradores em casa. Um quase formado (oi, tudo jóia?).

Depois de muito procurar, achamos. O bairro é legal, é perto (veja que tudo se torna perto quando você morava a no mínimo duas horas de qualquer coisa legal que se tenha pra fazer) de metrô, do nosso trabalho e o mais importante: estamos na civilização. Não que Guarulhos não fosse, muito pelo contrário. A oitava economia do país (sono) vai muito bem, obrigado. Até bilhete único ela tem agora. Cidade grande com tudo o que alguém precisa, nem sempre com tudo o que se quer, diga-se de passagem. O que mais vislumbra alguém por morar em São Paulo é você poder ter opções. Ótimo que outras cidades têm de tudo. São Paulo tem várias opções do tudo. E é isso o que eu quero, desculpa, sou assim, fútil. AI TEM UM ÓTIMO BAR EM GUARULHOS QUE EU AMO SUPER DESCOLADO. Lindo, mas Sampa tem oito desse estilo e eu escolho um ou outro dependendo do dia, se quero sentar em mesa de vidro, ou mesa de madeira. Entende?

Passado essa discussão até mesmo em casa, porque nego ainda achava que Guarulhos compensava, passada a escolha das casas, passados os cálculos, passado tudo, fechamos o negócio aqui. Ufa, pronto, acabou o pesadelo! Certo? Errado.

Você não sabe o quanto você tem até que você tenha que embalar tudo. Embalar é uma arte. EU SEI EU SEI, liga na Granero que ó, eles vêm, embalam tudo, entregam na casa nova e BANG, sua vida nova ta pronta pra começar. Mas daí a conta sobe vários mil reais, não sei se te contaram. Corte de gastos, vamo lá.

Delícia é você realizar a muvuca em que a gente estava vivendo, daí você imagina tudo fora dos armários e encaixotado. NUM.FUCKING.APÊ. Not funny. Se alguém espirrar, tudo cai. Chega a ser engraçado. Eu me divirto. Mas eu me divirto com tudo, aprendi a ser assim. Daí pra mim ta tudo lindo, mas a tensão entre os outros participantes desse reality show chamado minha vida é tão grande que logo eles vão combinar voto na caruda e deixar o público decidir.

Gostoso mesmo é ir em lojas de construção pra escolher tintas e coisinhas desse tipo. Gostoso é ir nessas lojas de decoração pra ver os móveis, os frufrus, os tudo lindo. Desgostoso é ver seu cartão de crédito. Desgostoso é ver que, é, não vai dar pra levar tudo isso não, bora rever issaê.

Parabéns, se você chegou até esse ponto, você já valorizou cada coisinha velha e útil da sua casa antiga, você já valorizou que porra, você tem coisa pra caramba, porque ainda tem coisa fora da caixa e logo, logo, tem caminhão de mudança encostando na tua porta. Você valorizou seu bairro, porque a padaria de lá é uma quadra mais longe. Etceteras infinitos.

Seu sonho agora vai ser que o Luciano Huck rasgue a pele do seu pai e saia falando que opa, é tudo pegadinha, na verdade a sua casa ta sendo construída em outro lugar e vocês agora vão todos passar uma semaninha no Beach Park enquanto a gente resolve umas paradas aí pra vocês. Loucura, Loucura, Loucura.

Mas não. A outra casa ta lá ainda meio crua e seu pai vai precisar de ajuda, sabe? Aí você vai ter que pintar seu quarto AND o dos outros. E aí começa o processo de valorizar a nova casa. Você nota que, porra, a casa é grande pra caralho, ein. Você de repente nota que teu quarto é gigante e pintar a porra do gesso de cinco centímetros de uma cor e a parede de outra é um desafio de uma dificuldade e paciência, que você quase entende os vários dinheiros que o pintor profissional pede pra pintar bonitinho o que, oi, nem é dele. Meu pai já trabalhou com pintura, então ele tem as manhas, mas ainda assim, eu só nos retoques e fiquei exausto. Ele com seus sessenta e uns anos deve estar morto.

Pintamos, ta tudo lindo agora. Daí, claro, surge outro problema. A gente pegou a chave daqui faz umas duas semanas. Uma semana pra fazer o mais grosso, e daí não foi a gente, a outra semana a gente colocou os detalhes mais mimimis, ok. E desde sexta que a gente ta aqui, aguardando o povo da luz vir ligar o caralho da energia elétrica. QUE DIFICULDADE, SENHOR. Ligamos na segunda feira e a mocinha informou que, olha, passou gente sim, mas o portão tava fechado. ESCUTA. Quem hoje dia deixa o portão aberto? Ela não assiste aos noticiários? Minha mãe assiste e olha, não ta nada bonito aí fora. O cara que vem não sabe bater no portão? Bater palmas? Gritar ô de casa? Ou será que ele foi lindo o suficiente e só tocou a campainha? Nunca saberemos. O que fode é que a gente não saiu daqui. A sacada ta aberta, a gente respira e faz eco pela casa toda. NÃO HÁ A POSSIBILIDADE de se achar que não tem ninguém aqui. A gente ainda acha que tão enrolando a gente e passou ninguém aqui não.

Informaram que hoje vem alguém. Oremos. Depois do nervoso e horas perdidas, descobrimos que se for alguém lá pessoalmente tem como agendar um horário. Mas oi, todo mundo trabalha, olha a nossa cara de estou indo lá pessoalmente. Não vai rolar. Ok, eu estou de férias, mas porra, eu já to trabalhando o suficiente aqui, to afim de ir até a pqp pra marcar horário não. Não me olhe desse jeito. Se nego falou que em dois dias úteis vinham, deveriam ter vindo.

Hoje tem uma tia limpando aqui, tirando o pó das reforminhas, lavando os vidros e tudo mais. Amanhã terminamos de embalar as coisas e sexta está programado pra gente se mudar. Mas já ouvi dizer que talvez seja sábado pela manhã. O que pra mim não faz diferença, porque sexta pela manhã estou indo pra Curitiba porque oi, eu estou de férias e não fériei ainda. Ou vocês pensaram que eu ficaria nesse caos de mudança a vida toda?

Mentira, não foi nada premeditado, eu já tinha comprado as passagens faz tempo, me deixa ser feliz. Sei que a maioria das MINHAS coisas já estão embaladas - e BEM embaladas, porque eu já avisei que quando eu chegar quero ver tudo como eu deixei: dentro das caixas. Porque quem não deve, não teme. E eu devo, temo e to desesperado. Mas confio.

Não vejo a hora desse embala-desembala acabar, pra que tudo possa, enfim, começar. Sabe quando você sente que dessa vez vai tudo mudar de verdade? Uma mudança física que vai desenfrear várias outras mudanças?

Eu num geral gosto de mudanças, acho que é o que nos faz viver. Viver estagnado é triste e eu não quero isso pra mim, nem pra ninguém. Dou o maior suporte pra todo mundo que vem me dizer que ta querendo mudar de emprego, de vida, de namorado, de sexo... Estamos dando um pulo no escuro e enchendo nossos cus de dívidas monstruosas, mas é assim que o mundo gira.

E mesmo com tanta coisa dando errado na minha vida, agora eu posso dizer, que olha, to feliz. To animado, to inspirado. Aquele sentimento de mudar o mundo, sabe? De que no final, vai sim dar tudo muito certo. Só não pode acabar a bateria do note.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

chora, negada.


Eu queria era fazer uma bem animada, pra exercitar todos os movimentos púbicos que uma pessoa possa ter, mas o momento é outro e eu não consegui. Como eu comentei no twitter, uma música é total Breno e Érika pra mim - Never Let Me Go. O restante são pedacinhos da minha vida que estão por aí jogados em algum canto.
Só ouça quando estiver na vibe QUE BELO DIA PRA UM SUICÍDIO etc

Pegue sua garrafinha de whisky, acenda seu cigarro, sente-se naquela mesinha velha, toda descascada, de frente da tua janela, sinta o cheiro da noite e comece a escrever uma história de amor. Ou melhor, uma história sobre amor. Para que alguém um dia possa ler e suspirar, assim como hoje eu suspiro ao ouvir qualquer uma dessas músicas.

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on and on.